E por que tanta preocupação em controlar os políticos? Ora, os donos de negócios, investidores graúdos, os economicamente bem-aquinhoados, todos eles somados não chegam a 5% da população. Se juntarmos a isso a camada imediatamente inferior da classe média que simpatiza com as posições da camada superior, talvez somemos ao todo 30%, no máximo 35% da população.
Numericamente inferiorizados, resta-lhes a grande oportunidade que conquistaram nos últimos 30 anos, durante o predomínio das políticas neo-liberais, em que mudaram as regras eleitorais para incluir as empresas como tendo direitos de expressão (nos EUA), enquanto em outros países simplesmente alteraram-se as regras de contribuição de campanha na base da adesão de políticos cujos votos foram co-optados ou mesmo comprados na ocasião da votação de tais leis.
Então, o que restaria à maioria da população que se vê fraudada em sua intenção de eleger um representante autêntico? Apenas reclamar? Não necessariamente. A respeito, transcrevo o seguinte trecho de comentário que fiz em Carta Maior, a respeito da insuficiência de desempenho das administrações petistas nos útimos 12 anos:
"Acrescentaria que o hiato entre a expectativa e o fruto nas gestões do PT frente à Nação e, especificamente, quanto à realização de um “projeto para a estruturação do Estado e da gestão pública” talvez se deva ao fato de que o dito Partido dos Trabalhadores tem baixíssima representação do trabalhador brasileiro em seu corpo de associados e, consequentemente, participação mínima em suas tomadas de decisões.
E a culpa
por tais insuficiências não deve ser jogada exclusivamente sobre o colo do PT,
mas da sociedade brasileira mesma, que até hoje não criou instrumentos de organização
cívica efetiva na forma de grupos atuantes e representativos de suas várias esferas
e campos de interesses. De que outro
modo se poderia reivindicar providências, influenciar decisões e cobrar
resultados dos representantes políticos?
Sem dúvida, os nossos Movimentos Sociais já desempenham algumas dessas funções, mas não de forma proporcional
às necessidades reais, devido à falta, dentre
outros, de participação cívica e de recursos.
Sem isso,
continuaremos a depender da boa-vontade de nossos lulas e dilmas que, sem
prejuízo de seus talentos, capacidades e boas-intenções, seguirão no curso
atual caso não fiquem de fato cientes de que as pressões sociais têm peso
efetivo, conhecimento de causa e propósito firme."
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