Monday, November 11, 2013

Responsabilidades Cívicas

Os políticos de hoje, em grande proporção, parecem venais, interesseiros e indiferentes à sorte do cidadão que os elegeram. Não se trata, porém, de fenômeno novo.  O que tem mudado ultimamente é a rapidez e facilidade das comunicações, o nível educacional da população, e ainda a concentração de esforços dos donos do capital em injetar dinheiro em campanhas políticas para o controle dos políticos.  

E por que tanta preocupação em controlar os políticos?  Ora, os donos de negócios, investidores graúdos, os economicamente bem-aquinhoados, todos eles somados não chegam a 5% da população. Se juntarmos a isso a camada imediatamente inferior da classe média que simpatiza com as posições da camada superior, talvez somemos ao todo 30%, no máximo 35% da população.

Numericamente inferiorizados, resta-lhes a grande oportunidade que conquistaram nos últimos 30 anos, durante o predomínio das políticas neo-liberais, em que mudaram as regras eleitorais para incluir as empresas como tendo direitos de expressão (nos EUA), enquanto em outros países simplesmente alteraram-se as regras de contribuição de campanha na base da adesão de políticos cujos votos foram co-optados ou mesmo comprados na ocasião da votação de tais leis.

Então, o que restaria à maioria da população que se vê fraudada em sua intenção de eleger um representante autêntico?  Apenas reclamar?  Não necessariamente.  A respeito, transcrevo o seguinte trecho de comentário que fiz em Carta Maior, a respeito da insuficiência de desempenho das administrações petistas nos útimos 12 anos:

"Acrescentaria que o hiato entre a expectativa e o fruto nas gestões do PT frente à Nação e, especificamente, quanto à realização de um “projeto para a estruturação do Estado e da gestão pública” talvez se deva ao fato de que o dito Partido dos Trabalhadores tem baixíssima representação do trabalhador brasileiro em seu corpo de associados e, consequentemente, participação mínima em suas tomadas de decisões.


E a culpa por tais insuficiências não deve ser jogada exclusivamente sobre o colo do PT, mas da sociedade brasileira mesma, que até hoje não criou instrumentos de organização cívica efetiva na forma de grupos atuantes e representativos de suas várias esferas e campos de interesses.  De que outro modo se poderia reivindicar providências, influenciar decisões e cobrar resultados dos representantes políticos?  Sem dúvida, os nossos Movimentos Sociais já desempenham algumas dessas funções, mas não de forma proporcional às necessidades reais,  devido à falta, dentre outros, de participação cívica e de recursos.

Sem isso, continuaremos a depender da boa-vontade de nossos lulas e dilmas que, sem prejuízo de seus talentos, capacidades e boas-intenções, seguirão no curso atual caso não fiquem de fato cientes de que as pressões sociais têm peso efetivo, conhecimento de causa e propósito firme."